Fobia Específica

Dr. Miguel A. V. Franco

Dr. Miguel A. V. Franco

Psiquiatra

Publicado em 20/03/2024

O que é fobia específica?

Pessoa recebendo terapia de um profissional de saúde mental, em um ambiente acolhedor e seguro

A fobia específica, também conhecida como transtorno de ansiedade específica, é uma condição psiquiátrica caracterizada por um medo intenso e irracional de objetos, animais, situações ou atividades específicas. Indivíduos com fobia específica experimentam uma ansiedade extrema ao se depararem com o estímulo temido, o que pode levar a sintomas físicos como palpitações, suor excessivo, tremores e falta de ar. Esses medos podem interferir significativamente na vida cotidiana da pessoa, levando à evitação de situações que envolvam o objeto ou a situação temida. Pequenas atividades cotidianas, triviais à primeira vista como uma viagem de avião por exemplo, podem provocar em pacientes com aerofobia (medo irracional de viagens aéreas) altamente sensíveis, desorientação, desconforto e pânico.

Quais são as causas?

As causas da fobia específica são complexas e podem envolver uma combinação de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais. Estudos sugerem uma predisposição genética para o desenvolvimento do transtorno, com uma maior incidência entre familiares de primeiro grau de indivíduos afetados. Além disso, experiências traumáticas, como um encontro negativo com o objeto ou situação temida, podem desencadear o desenvolvimento da fobia específica. Fatores ambientais, como a observação do medo em outras pessoas ou mensagens sociais negativas sobre o objeto ou situação, também podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da fobia específica podem variar dependendo do objeto ou situação temida, mas geralmente incluem uma ansiedade intensa e uma resposta de luta ou fuga ao se deparar com o estímulo temido. Isso pode se manifestar como sintomas físicos, como batimentos cardíacos acelerados, sudorese, tremores, tontura e desconforto gastrointestinal. Além disso, a pessoa pode experimentar sintomas psicológicos, como medo extremo, pensamentos irracionais, sensação de desrealização ou despersonalização e pânico intenso. Esses sintomas podem levar à evitação da situação ou objeto temido, impactando negativamente a vida social, profissional e pessoal do indivíduo afetado.

Tratamento e perspectivas Futuras

O tratamento da fobia específica geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental (TCC), que visa modificar os padrões de pensamento distorcidos e reduzir a ansiedade associada ao estímulo temido. A exposição gradual ao objeto ou situação temida, conhecida como dessensibilização sistemática, é uma técnica comumente usada na TCC para ajudar os indivíduos a superar seus medos. Além disso, medicamentos ansiolíticos podem ser prescritos para ajudar a aliviar os sintomas de ansiedade. Quanto às perspectivas futuras, espera-se que avanços na pesquisa continuem a melhorar a compreensão e o tratamento da fobia específica. Novas abordagens terapêuticas, como arealidade virtual, podem oferecer métodos mais eficazes e acessíveis para exposição ao estímulo temido. Investimentos em educação pública e redução do estigma em torno dos transtornos de ansiedade também podem ajudar a aumentar a conscientização e o acesso ao tratamento para aqueles que sofrem com a fobia específica.

Caso haja presença dos sintomas, recomendamos que o paciente consulte-se com uma das especialidades abaixo:

Referências

1. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. (2013). DIAGNOSTIC AND STATISTICAL MANUAL OF MENTAL DISORDERS (5TH ED.). ARLINGTON, VA: AMERICAN PSYCHIATRIC PUBLISHING.

2. ANTONY, M. M., & BARLOW, D. H. (2002). SPECIFIC PHOBIAS. IN D. H. BARLOW (ED.), ANXIETY AND ITS DISORDERS: THE NATURE AND TREATMENT OF ANXIETY AND PANIC (2ND ED., PP. 380-417). NEW YORK, NY: GUILFORD PRESS.

3. FREDRIKSON, M., ANNAS, P., FISCHER, H., & WIK, G. (1996). GENDER AND AGE DIFFERENCES IN THE PREVALENCE OF SPECIFIC FEARS AND PHOBIAS. BEHAVIOUR RESEARCH AND THERAPY, 34(1), 33-39.

4. BANDELOW, B., & MICHAELIS, S. (2015). EPIDEMIOLOGY OF ANXIETY DISORDERS IN THE 21ST CENTURY.DIALOGUES IN CLINICAL NEUROSCIENCE, 17(3), 327-335.

5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA. (2019). DIRETRIZES BRASILEIRAS PARA O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE. RETRIEVED FROM HTTP://WWW.ABP.ORG.BR/UPLOADED/ARQUIVOS/ANSIEDADE-2.PDF

Dr. Miguel A. V. Franco

Escrito por Dr. Miguel A. V. Franco

Psiquiatra

CRM 132075

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